Noite de sábado.
Uma fogueira. Sorrisos, risos e inúmeras gargalhadas. Entre amigos – deveria ser. Mas deixe-os a sós, por favor. Foram 12 anos de uma espera que parecia infindável. Eles merecem um ao outro, merecem aquele encontro. Ninguém ousaria interrompe-los.
Quase 4 horas de conversas e sorrisos no tal primeiro encontro; sempre tão planejado!
A beleza do momento tornou-se eterna.
E então...
12 anos o fizeram tão bem! Ele cresceu, tomou responsabilidades. Incluiu nos seus planos uma vida universitária, um domingo em família, um emprego na área, dentre outras coisas que eu ainda vou descobrir. Cresceu saudável o menino, incrível! Deve ter sido criado numa redoma fora do normal, só pode. Não se cansa de mostrar pra menina boba os seus dotes. Muita coisa pra pouco tempo. Tanta riqueza! De palavras, de alegria, de gestos, de carinho, de sintonia que; a menina coitada, anda suspirando pelos cantos! Perdendo-se em versos, musicas e poesias. Fica horas a fio na janela, fitando o céu (como ela é apaixonada pelo céu!); catando as palavras que a lua – a mesma que o apresentou a ela – joga, cuidadosamente. De vez em quando, em vez de palavras a lua se confunde – ou não – e joga algumas estrelinhas. A menina adora essa confusão. As estrelas enfeitam seus versos. Talvez só mesmo elas consigam demonstrar o brilho dos olhinhos dela.
A menina insiste em ser poetinha. Quer colocar em palavras “esse sentimento”. Pobre menina! Debruçada em sua janela namora as estrelinhas. Acredita um dia ainda alcança-las, sem a ajuda da lua. Olha uma a uma com um carinho fora do comum, e então, escolhe a dedo a mais brilhante. Pede a lua pra que a envie rápido.
--- Não há tempo a perder! - ela diz a lua.
E então...
Lua, sol, primaveras, verões, outonos, invernos, anos e anos...
Ela voltou! Não mais tão menina. (alguns ainda duvidam)
Finalmente agora existe um porquê pra tudo isso. Já era hora! Um porquê muito bem dado pra correria das mudanças. Mudança de estado, de cidade, de relacionamentos.
Ela voltou! Não se sabe se o brilho nos olhos é o mesmo da infância; não se sabe se é tão espertinha como quando criança; não se sabe se ainda gosta de Barbie, desenhos animados ou musicais infantis. Pouco se sabe dela. Pouco se sabe dele. Pouco sabem um do outro; mas ah! Foi um encontro e tanto. Suficiente pra descobrirem certo sentimento; há tempos abafado, escondidinho e encabulado.
O primeiro beijo não demoraria muito. No teatro, claro! - ela é vidrada em teatro.
Que sintonia! Que harmonia! Que melodia! Aliás, falando em melodia, eles têm uma trilha sonora de dar inveja. Chico e Vinicius são sempre muito bem cotados. Posso apostar que no momento ela esta escutando Chico. Uma bela musica até. (*)
Mas então...
Ela se fez poetinha, finalmente!
E dos seus poros qualquer um podia ver uma alegria muito bem quista.
E os dias iam, e eles se percebiam, e riam. Riam de tudo, de todos. Riam deles mesmo, e da enrascada que os tais 12 anos os colocaram. Ela ainda recente de um alguém. Ele saltitante por um amor. Ela confusa. Ele tão seguro. Ela meio frágil. Ele sempre tão firme.
E se percebiam.
E se permitiam.
Como deve ser.
(*) Todo o sentimento
Preciso não dormir até se consumar o tempo da gente.
Preciso conduzir um tempo de te amar, te amando devagar e urgentemente.
Pretendo descobrir no último momento um tempo que refaz o que desfez.
Que recolhe todo sentimento.
Que bota no corpo uma outra vez.
Prometo te querer ate o amor cair doente, doente.
Prefiro então partir a tempo de poder a gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder te encontro com certeza, talvez num tempo da delicadeza.
Onde não diremos nada, nada aconteceu, apenas seguirei como encantado ao lado teu.
24 julho 2007
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Um comentário:
Vc escrevendo alegrias, e eu rabiscando tristezas...
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