29 agosto 2007

E quando o dia acaba, e a ventania leva de mim o sol que, quietinho se abaixa, e sem alarde se vai..? E quando não dá pra esconder o aperto na garganta, os sobressaltos do coração, a saudade, a ausência? Não que o dia não tenha cumprido o que nos prometeu, mas é que saudade é coisa que não se explica. Longe há minutos, é como se passassem dias e dias... É a tal da emoção. Coisa estranha que não se explica, só se identifica. Como tentar explicar a acelerada do pai ao ouvir do filho o primeiro "papai"... Ou a explosão daquele gol do seu time que, há tempos não ganhava nada. Mas aquele gol, ah, aquele gol salvou a pátria, ufa! Ah, tudo bem vai, eu não entendo nada de futebol, e mal entendo o que sinto. Afirmo, no entanto que é forte, absurdamente forte! E que, com todos estes meus sintomas é sim o tal do amor que, há alguns poucos meses me invadiu – graças a Deus!
É como tentar explicar a respiração ofegante, o silêncio de um beijo, o carinho pelo olhar.
Não se explica. Experimenta-se. Sente-se.
Sente-se e sente-se!

14 agosto 2007

Fecho as janelas e as cortinas. Vou pro meu cantinho e deito. Cubro-me, pois faz frio nesta noite silenciosa. Tudo preparado? Então, fecho os olhos e, finalmente! Lá está você e os seus olhos, que insistem em me consumir. Ah entendam, são só nossos corpos separados, nada além. É você quem vibra e pulsa dentro de mim. E é assim, aproveitando minha total intimidade que te sinto, vivo. Que me sinto, viva. Ao longe consigo escutar cigarras. Chamam chuva. Sim, existe fogo. Paixão. Amor. Porque nada, nada resiste ao que vem em demasia, em excesso.

Passam-se os minutos e gozo dos seus mínimos detalhes. Nos olhamos a cada segundo mais intensamente. Por fim, cansados só do olhar, nos achegamos. Sorrisos sugestivos nos embalam, levando-nos um ao outro. Mãos dadas e um beijo! Rodamos, rodamos, abraçados, sorrindo, dando provas carimbadas a quem quer que passe por aquela rua, cheia dos mistérios. Cheia dos vizinhos - gente que conhecemos bem. Percebe, assustam-se em nos ver juntos. Tão estanho assim? Sei lá, encaro naturalmente. O susto do amor que de inicio era claro, hoje me fornece paz. Uma paz esta que nos cala, silencia e dela surgem lágrimas. Posto que é um amor pra vida inteira, emociona verdade.

Ah, um reflexo lindo do tempo você!

Como se estivéssemos no intervalo de um filme. Por tempos afastados – fisicamente. Mas enfim, tomamos nossos assentos, nossos lugares privilegiados. Sem ensaios, o filme hoje deu prosseguimento. Silencio! No escuro do meu quarto, ainda de olhos fechados é este filme que vejo. Por isso tanta preparação, tanto silêncio, tanta intimidade. Não me perdoaria chegar atrasada pra cena seguinte.



E por falar em filme, faz-me lembrar Aristóteles quando disse: "só se morre de amor no cinema".

Às vezes, a saudade é tanta, mas tanta, que quase discordo dele.

05 agosto 2007

O amor continua e continuará vivo alimentando-se de sua capacidade de mudar e se adaptar. Ele conta com mais de 6 bilhões de aliados que não desistem de procura-lo e exalta-lo.