Fecho as janelas e as cortinas. Vou pro meu cantinho e deito. Cubro-me, pois faz frio nesta noite silenciosa. Tudo preparado? Então, fecho os olhos e, finalmente! Lá está você e os seus olhos, que insistem em me consumir. Ah entendam, são só nossos corpos separados, nada além. É você quem vibra e pulsa dentro de mim. E é assim, aproveitando minha total intimidade que te sinto, vivo. Que me sinto, viva. Ao longe consigo escutar cigarras. Chamam chuva. Sim, existe fogo. Paixão. Amor. Porque nada, nada resiste ao que vem em demasia, em excesso.
Passam-se os minutos e gozo dos seus mínimos detalhes. Nos olhamos a cada segundo mais intensamente. Por fim, cansados só do olhar, nos achegamos. Sorrisos sugestivos nos embalam, levando-nos um ao outro. Mãos dadas e um beijo! Rodamos, rodamos, abraçados, sorrindo, dando provas carimbadas a quem quer que passe por aquela rua, cheia dos mistérios. Cheia dos vizinhos - gente que conhecemos bem. Percebe, assustam-se em nos ver juntos. Tão estanho assim? Sei lá, encaro naturalmente. O susto do amor que de inicio era claro, hoje me fornece paz. Uma paz esta que nos cala, silencia e dela surgem lágrimas. Posto que é um amor pra vida inteira, emociona verdade.
Ah, um reflexo lindo do tempo você!
Como se estivéssemos no intervalo de um filme. Por tempos afastados – fisicamente. Mas enfim, tomamos nossos assentos, nossos lugares privilegiados. Sem ensaios, o filme hoje deu prosseguimento. Silencio! No escuro do meu quarto, ainda de olhos fechados é este filme que vejo. Por isso tanta preparação, tanto silêncio, tanta intimidade. Não me perdoaria chegar atrasada pra cena seguinte.
E por falar em filme, faz-me lembrar Aristóteles quando disse: "só se morre de amor no cinema".
Às vezes, a saudade é tanta, mas tanta, que quase discordo dele.
14 agosto 2007
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